ANTROPOANTRO 25 ANOS - Museu da Cidade - Casa de Vidro, 6 de dezembro de 2025 a 31 de janeiro de 2026
Para comemorar seus 25 anos de existência, o Grupo Antropoantro realizou uma exposição no Museu da Cidade - Casa de Vidro em Campinas, SP, Brasil.
O convite para esse evento é exibido a seguir.
Esta exposição foi anunciada no Caderno C do jornal Correio Popular de Campinas. O texto, da jornalista é muito bom e o transcrevemos aqui.
Grupo Antropoantro celebra história
Coletivo formado
por sete artistas visuais, moradoras de Campinas, completa 25 anos e abre hoje
exposição com obras marcantes de sua trajetória
Mariana Camba/cadernoc@rac.com.br
06/12/2025 às 09:03.
Atualizado em 06/12/2025
às 09:03
A arte contemporânea une, desde o início dos anos 2000, sete artistas
visuais independentes e moradoras de Campinas, em produções coletivas que
percorrem cidades, museus e ruas. Assim, com o objetivo de mergulhar no
universo da arte e cultura, o grupo Antropoantro celebra 25 anos de história
com uma exposição que reúne os trabalhos marcantes do coletivo. A mostra será
inaugurada hoje (dia 6), no Museu da Cidade - Casa de Vidro, com diversas
produções - entre fotografias, pinturas, esculturas e instalações -, como um
convite ao público, para revisitar momentos e obras que contam a trajetória
criativa das sete artistas.
O nome Antropoantro atribuído ao coletivo une os termos “antropo”
(humano) e “antro” (caverna) e sugere a exploração, de forma crítica e social,
das dimensões mais profundas da condição humana. A primeira exposição do
coletivo foi realizada em 2000 e, neste ano em que completa 25 anos de
trajetória, o grupo celebra “memórias expressas em formas”. “A exposição é a nossa histórica contada através do
nosso trabalho, e está linda. São memórias expressas em formas. A expectativa é
de que, no próximo ano, a celebração continue com o lançamento de um livro que
já estamos produzindo. Afinal, são mais de duas décadas que unem o grupo.”,
destaca Sílvia Matos, uma das integrantes e coordenadora do coletivo e
participante da exposição. A mostra também reúne produções das componentes do
grupo: Beth Schneider, Inês Fernandez, Lalau Mayrink, Olívia Niemeyer, Tina
Gonçalez e Vane Sanchez Barini.
Juntas, elas assinam a criação da pintura “Hileia” (2011), um dos
destaques da exposição. A obra tem 1,90 metro de altura por 30 metros de
largura e apresenta uma produção abstrata que remete às cores e formas da
floresta Amazônica. A pintura foi realizada em dois dias, de maneira
simultânea. A criação conjunta já foi exposta na Espanha, no mesmo ano de sua
produção, durante o II Congreso Internacional de “Ciudades Creativas”.
O trabalho “Uma Escultura Que Não Deu Certo”, conhecido como “O Boneco”,
é uma das produções emblemáticas do grupo. Criada em 2005, a recria um boneco
em formato de pessoa adulta, em tamanho real e articulado. O título brinca com
a ideia da forma e com o fato de ser uma “pessoa” inanimada, construída em
estrutura de arame e revestida com plástico cristal. Na época, as artistas
levaram o boneco para as ruas e o transportaram em ônibus, além de circularem
com ele por museus e espaços coletivos, registrando as ações em fotos e vídeos,
com o intuito de usar a arte para interagir com as pessoas, provocar o riso e a
reflexão. Ao reunir todos os registros, foi produzido um livro-catálogo que
acompanha a escultura.
Em outra a instalação, “O Cubo Branco” (2007), as artistas reuniram sete
caixas de madeira, com 2x2 metros de dimensão, em que cada autora preencheu o
cubo de forma individual. A artista visual Sílvia Matos, por exemplo, revestiu
parte da caixa com um metal espelhado e curvado - que deforma as imagens - e
pendurou imagens de oito mulheres, as quais ela se refere como as oito deusas.
Em outro, havia apenas um cubo pequeno ao centro, numa provocação da figura.
Para a exposição dos 25 anos do grupo, as caixas não foram levadas, apenas as
obras que preenchiam os cubos.
Na produção “A Lavanderia”, o coletivo utilizou a área da lavanderia de
uma casa na Capital para criar a intervenção artística. Junto a objetos reais
que ocupavam o espaço - como máquina de lavar roupa e tanque - , as artistas
espalharam centenas de notas falsas de R$ 100, inclusive, penduradas no varal.
A nota contém como símbolo a cara da escultura “O Boneco” e a descrição de “sem
reais”, como trocadilho. Um dos registros fotográficos da instalação de 2010,
foi impresso no formato de um painel e colocado na exposição como cenário que
recria a instalação, junto das notas penduradas em varais, dentro de mala e
balde.
A exibição também conta com a produção “Sete Pecados Capitais” (2015),
em que cada artista utilizou objetos, fotos ou pinturas para representar a
preguiça, raiva e inveja, por exemplo. Para a raiva, Silvia usou fotos e
pintura para recriar sua expressão ao gritar. Enquanto Lalau utilizou redes
para recriar a preguiça, disposta com pinturas e palavras que remetem ao
pecado. Na obra “O Vazio”, o nada foi representado de várias formas pelas
autoras, como o espaço oco formado na junção de duas mãos, um álbum antigo de
fotos sem as imagens e cubos repletos de buracos.
HISTÓRIA
O grupo Antropoantro nasceu de forma despretensiosa, entre encontros
para o estudo e reflexão sobre a arte, a partir de 1999. Na época, o artista e
professor Carlos Fajardo ministrou as discussões com as moradoras de Campinas,
no ateliê de Sílvia Matos, entre abordagens e preceitos da arte contemporânea.
Entre os encontros, ideias e trabalhos, o grupo foi fundado, na época, com mais
integrantes. A primeira exposição do coletivo foi realizada em 2000, ainda
durante as aulas mensais com Carlos, que se estenderam até 2004.
Com o passar das décadas, o grupo se reuniu com outros pensadores e
especialistas para refletir o uso e atribuições da arte contemporânea - como
entre 2006 e 2008, com o artista Albano Afonso, e de 2013 a 2017 com Marco do
Valle.
Com a chegada da pandemia da Covid-19, os encontros e trocas passarem a
ser online e a partir de 2022, de tempos e tempos, o grupo voltou a se reunir
pessoalmente para dar continuidade ao projeto, que se mantém vivo e ativo.
PROGRAME-SE
Exposição 25 anos Antropoantro
Quando: Abertura hoje (dia 6), das 13h às 16h. Visitação disponível de 7
de dezembro a 31 de janeiro, de terça à sexta-feira, das 10h às 12h e das 14h
às 16h. E aos sábados, das 12h às 16h.
Onde: Museu da Cidade (Casa de Vidro) - Avenida Dr. Heitor Penteado, 2145, no
Lago do Café, Taquaral.
Entrada livre e gratuita
Estas são as artistas integrantes do grupo, fotografadas na inauguração da exposição:
Algumas imagens da exposição são apresentadas na sequência.
















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